Uma ideia de churrasco e sentimentos nunca voltam

 Como forma de arrecadar uma grana extra, açougues da grande São Paulo, em especial das periferias resolveram vender o famoso “churrasquinho” em frente a seus estabelecimentos. A população agradece, mas será que essa é uma boa opção para aqueles que amam seus corpos? Todos os estabelecimentos relativamente grandes e ou pequenos resolveram organizar esse tipo de trabalho disponibilizando um de seus funcionários para organizar o movimento do “churrasquinho”. Uma ideia relevante, o que incomoda é que muitos organizadores estão colocando à venda, carnes de má qualidade e prestes a serem descartadas para consumo humano -onde está a picanha R$ 18,00 o quilo?
 Esse tipo de serviço sem qualidade alguma, gera no consumidor e amante carnívoro a dúvida cruel – será que todos fazem isso -, boa parte, mas alguns ainda fornecem um serviço de primeira. Dentro de periferias mesmo temos açougues que além de venderem a peça crua, possibilitam que você tenha seu churrasco no local. Nada luxuoso, com um clima de churrasco caseiro, mas é um diferencial que faz o consumidor se sentir importante, principalmente se ele não possui muitos recursos financeiro. Proporcionando confiança e satisfação gera um movimento tremendo aos finais de semana. Familiares, amigos, companheiros de trabalho e solitários de plantão todos reunidos em prol do bom e velho churrasco, com direito a muita carne, farofa, cerveja e pão.
 Mesmo com essa quantidade impressionante de aproveitadores São Paulo se tornou a cidade do churrasco, deixou de ser a terra da garoa e adquiriu um aroma de carvão queimado e gordura derretida. O paulistano de periferia mesmo com todo esse dilema come e se delicia, depois passa mal em algumas situações, mas nada muito relevante. Em sua maioria, diz que foi a comida do dia a dia que não lhe caiu bem, mesmo sabendo a verdade.. 
 Para deixar claro, esse post não é para influenciar as poucas pessoas que o lêem à não comer churrasquinho de rua, mas sim a pensarem mais sobre o que, quando, porque e onde irão comer. 

Um breve relato de sentimentos: cheiro de carne, carvão e pão.


"Mesmo sabendo dos riscos ela aproveitou a situação para ser feliz - e não se arrependeu em momento algum"


 O churrasquinho que vou guardar na memória é o que existia na região da Lapa, com pedaços de toucinho, pimentão, cebola e dentro de um pão.
 O Churrasco do Mineiro fez o sucesso mais que esperado. Em frente a faculdade, ele chegou bem de repente. Todos estavam na aula, uma Parti 1989 vermelha estaciona em frente a calçada do outro lado da rua, tinha uma visão privilegiada. O prédio de esquina e as janelas de vidro, a turma da sala 13 tinha uma à vista perfeita para a rua. Uma movimentação fora do comum acontecia, um senhor tira isopores de dentro do carro, monta uma churrasqueira e dá início ao que mudaria sua vida ou pelo menos parte dela.
 Em meio as vozes do professor um ritmo soa nas ruas – Lalalai lalalai lalalai...não quero nem saber, eu quero amar você -, os alunos riem, o senhor está apenas começando. Após alguns meses de venda o Churrasco do Mineiro ganhou espaço dentro de um lugar alugado no estacionamento ao lado da faculdade. Agora com geladeira, pia e sua boa e velha guerreira (churrasqueira) ele serve os alunos, ambulantes, trabalhadores da região e moradores de rua. Sempre animado, com sorriso no rosto e muito gentil o mineiro barganhava clientela não apenas por sua carne de qualidade e o custo benefício, mas também por suas músicas animadas e o coração generoso. 
 - Não tenho dinheiro hoje tio, só eles vão comer. 
 - Que isso, pega. Você não vai ficar olhando.
 E logo, ele servia um churrasquinho no pão com refrigerante. R$2,00 o churrasquinho e R$ 1,00 o refrigerante Dolly, esse era o preço que cobrava para alimentar vários alunos e ainda bancar aqueles que não podiam pagar. 
 Seu trabalho passou a ser seu divertimento, sempre fazendo amigos, contando histórias e trazendo queijos e geleias de minas ele se tornava a atração da Lapa. Com o passar do tempo O Mineiro comprou um novo carro, agora andava de Palio preto. Levava sua mercadoria e instrumentos de trabalho todos os dias com conforto e o sorriso no rosto. Ao final de cada semestre sempre esboçava uma cara triste para os alunos que não iria ver mais, mas logo quando todos voltavam lá estava ele novamente com seu grande sorriso. 
 Sua qualidade de vida aumentou, seu trabalho cresceu e agora duas caixas de isopores são pouco para suprir a turma da noite. Mas, o que realmente importa é o sentimento e saudade que todos terão daquele senhor que chegou de forma inesperada em uma noite quente de segunda feira.
 Ideias legais existem, pessoas honestas também, vale a pena procurar pelas ruas de São Paulo o lugar que mais se encaixe no seu bolso e no seu estilo de vida.
 Padrões exagerados fazem a vida se tornar exagerada demais.
 A simplicidade sempre alcança a perfeição e a felicidade sempre estará onde você estiver - pense nisso.

"Não morri comendo o churrasquinho de rua, nem nunca passei mal por isso. Talvez tenha criado muitos anticorpos nesse meio tempo ou ele realmente era feito com a simplicidade, carinho e amor daquele que o produzia."

Comentários

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Oi Pri, demorou, mas, achei seu blog rsrsr.
    Como paulista também concordo que essa cidade tá cheirando a carvão mesmo, sem contar nos famosos "churrasquinhos gregos" que misturam um monte de sei lá o que, não vou mentir, o cheiro é tentador, mas,cada um sabe como e porque devem cuidar da sua saúde né. Não sou vegetariana, mas, concordo contigo vale a pena pesquisar mais onde vamos comer e gastar nosso rico dinheirinho!!!

    Abraço,

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  3. Até porque, dinheiro não nasce em árvore.


    Bjss...

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