Desabafo: A arte de educar um filho




Por algum motivo não identificado, é possível encontrar uma quantidade absurda de livros, filmes, documentários e qualquer manual que ensine pais de primeira viagem ou não, há como educar seus filhos, mas será que eles aprendem o sentido do que é educar?!

*Educar: v. tr. 1. Dar educação a. 2. Criar e adestrar (animais). 3. Cultivar (plantas). v. pron. 4. Adquirir os dotes físicos, morais e intelectuais que dá a educação.

Por outro motivo muito óbvio, não. Nenhum pai aprende a ser pai sem ter estrutura emocional e psicológica para esse feito.
- Como uma pessoa que não é mãe pode estar comentando sobre um assunto como esse? -, simples o cara que escreveu seu livro de auto-ajuda também não foi um bom pai, os filhos dele tiveram sonhos e ele os podou. Eles fizeram coisas erradas e ele então os ajudou, mas primeiro precisou que o filho escolhesse o caminho errado. Não soube prevenir o ocorrido nem nunca conseguirá 
- Fato: todos precisamos fazer escolhas, junto delas sempre teremos as consequências, é impossível prever que tudo sairá como o desejado. Mas, é preciso arriscar.



 Toda a demanda de produtos para educar, é produzida a partir de formulas aprendidas com terceiros, baseada em experiências alheias que em nada garantem que sejam produtivas e milagrosas.
 Nenhuma formula exposta no mercado é capaz de melhorar a educação de nossas crianças, se não através da introdução de cultura, princípios, valores morais e intelectuais - como diz a definição da palavra -, se isso fosse possível e fácil de ser alcançado não teria presenciado o seguinte ocorrido:
 No ponto de ônibus um mãe espera o coletivo junto de seu filho de aproximadamente 4 anos. O pequeno mantém-se inquieto tomando seu iogurte de copinho. Ele anda de um lado para o outro, toca no chão, coça a bunda e leva sua mão até a boca – se ele não tiver nenhuma doença ou dor de barriga, com certeza criará anticorpos para sobreviver ao apocalipse zombie -, após alguns olhares, ele vai ao encontro de um homem que come um desses churrasquinhos de rua com farofa de procedência duvidosa. O homem oferece a carne, ele olha para mãe e aceita.
- Onde estava a mãe nesse exato momento? -, no mesmo lugar. Ela não moveu um dedo para advertir seu filho, nem conversou com ele sobre o ocorrido. Simplesmente ignorou e continuou mexendo em sua bolsa.

 Essa criança nada mais queria do que atenção, impossível de perceber ou facilmente detectável até por quem nunca foi mãe?!
 “Extremamente fácil”, como diria a música. Tornar-se pai não é dar luz a uma vida, é poder direcioná-la para algo. Caso essa pequena criança consiga não ser direcionada para o mundo das drogas, vagabundagem e falta do que fazer, tenha total certeza que será um milagre divino. Mas, sem sombra de dúvida os livros, documentários, filmes e qualquer coisa do gênero, não farão a diferença para uma mãe como essa que está cansada da vida, que tem os olhos inchados de sofrimento, pobreza e dor.
 Caso deseje por algum motivo desconhecido, ser pai. Tenha em mente que passará por uma das provas mais difíceis de sua vida; manter, alimentar, educar, ensinar, cuidar, amar e fazer outra pessoa feliz serão suas funções básicas. Mas, se estiver disposto à não fazer nada disso, volte para a casa da sua mãe e aprenda a ser um filho melhor. Leia, estude e reflita sobre o que você quer para o futuro. Só assim conseguirá conquistar seu espaço no mundo. 
 Mas se por obra do destino nada disso der certo, volte para casa e tente conversar com sua mãe sobre sua educação. Talvez você tenha sido o filho inquieto que coçava a bunda, tocava o chão, tomava iogurte de potinho e aceitava comida de procedência duvidosa. Para maiores esclarecimentos, saiba que sobreviverá ao final dos tempos.

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