Desabafo sobre a tentativa de divulgar cultura do Itaú

Pessoas de peso e uma proposta mal cumprida. 

 Com um número absurdo de palestrantes conhecidos e respeitados, um conteúdo que chama muita atenção e uma organização que deixou a desejar. Transeuntes, jornalistas, intelectuais, aspirantes à escritores e anônimos, deixaram ontem a Av. Paulista com aquele gostinho amargo na boca, uma sensação de insatisfação misturada com quero mais e muitas interrogações.
 A pouco tempo divulguei aqui no blog o que acreditava ser um evento com muito informação à acrescentar em minha vida e daqueles que leem esse espaço (post anterior). Sem dúvida alguma, acrescentou diversas opiniões e pensamentos, mas como um todo o evento “Encontro de interrogações” promovido pelo Itaú cultural, com o intuito debater entre público e palestrante, temas relacionados a Literatura Contemporânea, não teve seu objetivo alcançado.
 Ontem 07 de setembro, feriado, mobilizou uma quantidade inesperada de pessoas que se interessaram pela ideia proposta. O grande problema foi a falta de estrutura do ambiente e o que podemos chamar de – arrogância e falta de humildade – temas que foram discutidos brevemente na segunda palestra às 18:30, sobre o tema “Escrever é narrar?”.
 Para aqueles que chegaram com pelo menos uma hora de antecedência, foi possível conferir a primeira palestra. Para quem chegou com trinta minutos apenas, pode continuar na fila por mais 1 hora e esperar pela próximo. Um segundo ponto negativo, foi o fato de não poder assistir duas palestras ou mais.
 Sempre com trinta minutos de antecedência eram distribuídas as senhas. Caso houvesse interesse na palestra seguinte, você deveria abandonar a discussão antes do final e partir para a fila, concorrer novamente com as pessoas que restaram da fila anterior, os que chegaram depois e os que gostariam de ver a próxima.
 Terceiro ponto negativo; assim que os ingressos “esgotavam” o rapaz da bilheteria vinha para dar a triste notícia ao público, que tirava o violino da bolsa e chorava – o fato de esgotavam estar entre aspas é simplesmente porque ao meu lado na palestra das 18:30 existia um lugar vazio e diversas pessoas para fora – convidados VIPs e Jornalistas eram privilegiados como em qualquer evento - bastava entrar com seu crachá de convidado ou se muito influente, bastava conversar com alguém que estivesse pelos corredores.
 Quarto ponto negativo; todas as perguntas da plateia seriam respondidas ao final da discussão entre os palestrantes. Em meio a discussão entre eles, eis que sobe ao palco uma linda mocinha e seu papel dobrado. O mediador Paulo Werneck, muito educado e chocado, dá ao público a triste notícia – novamente todos tiram o violino da bolsa e choram - “Bem, acabamos de sermos avisados que o ambiente será utilizado para uma próxima palestra. Eu peço desculpas a todos, mas teremos que encerrar essa discussão sem as perguntas da plateia.”
 Com essa frase, mesmo sem existir culpa dos palestrantes ou do mediador, pessoas se levantaram de suas poltronas e dirigiram-se para a porta de saída. Alguns poucos permaneceram, aplaudiram e logo em seguida foram embora.
 Com isso encerro meu desabafo sobre a organização do evento, volto para dizer o que cada palestrante acrescentou em minha vida. Mas, deixo ao final desse post perguntas que rondaram minha cabeça. Que estavam escritas no papel, mas devido a desorganização, falta de humildade e arrogância dos organizadores do evento, foram deixadas para trás. Assim como uma coisa chamado RESPEITO.

“O quanto a sociedade é capaz de interferir na narrativa? Será que o escritor não é apenas um veículo de transporte para as informações e ideias? Narrar não é apenas divulgar? Escrever não seria apenas a utilização de um meio como a linguagem para transmitir uma ideia ou informação?
Será que no final da palestra poderei ver um duelo entre João Silvério Trevisan e Rubens Figueiredo? - Adoraria uma luta estilo sumo peso pena.”


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