Veterinário ou curioso de plantão?!

 Como uma espécie de revolta, misturada com denúncia, gostaria de deixar registrado a incompetência, ou se assim podemos chamar, a falta de preparo de veterinários residentes na periferia de São Paulo, mais precisamente na Zona Oeste onde resido.
 Para que essa história tenha fundamento, começarei desde o início - o histórico do paciente - prestem muita atenção e descubram na falta de preparo do profissional e, antes de contratar alguém para cuidar do seu melhor amigo, avalie-o.

 Quarta-feira, 06 de julho.
 O dia amanheceu, ela estava dormindo como sempre na garagem, seu local favorito. Seus donos vão busca-la logo no primeiro horário, em poucos minutos ela faz alguma gracinha ou pede algo para comer.
 Por volta das 10:00 da manhã, essa pequena vira-lata de 13 anos e pelos escuros levanta-se de sua cama na cozinha, onde passa a maior parte do dia dormindo, observando e pedindo comida.  Ela vai até à lavanderia  em uma tentativa de se esconder de seus donos. Em seguida, sua dona escuta barulhos vindos da  lavanderia - a cachorrinha está em choque.
 Ela imediatamente tenta fazer com que o animal não se machuque em nada que está em volta, solta um grito para chamar o filho mais velho e espera que o ataque acabe.
 Ao voltar para si, Neguinha - como eles a chamam - estava perdida, desnorteada, não conhecia ninguém, mas em poucos minutos, volta a ser a mesma cachorrinha de antes.
 A família correu à um veterinário do bairro, ao chegarem lá, ele olhou os dentes, olhos, pelagem e disse: - Senhora, ela teve um ataque epilético. Vai precisar tomar remédio para a vida toda. Aqui está a receita, um comprimido por dia, veremos como ela irá reagir.
 A dona preocupada pergunta.
 - 100mgr não é um remédio forte?
 A resposta vem a cavalo, ou melhor dizendo, a jumento:  - Sim, é para fazer efeito mais rápido. Se sentir que ela está "molinha", me ligue e mudamos a quantidade.
 Eles voltam para casa, mas resolvem não medicar o animal. Ela está bem, sorridente e feliz.
 O tempo passa, a noite chega e, é hora de dormir.
 Colocaram a cadelinha para dormir na lavanderia, mas pelo visto ela não se habituou. Chorava e pulava, ela não queria ficar sozinha, com razão.
 Seus donos  acreditavam que ela queria voltar para o lugar onde sempre gostou de dormir - a garagem - e lá vão eles, com água, comida e panos, está frio, muito frio.
 Essa foi mais uma tentativa frustrada, a cachorrinha realmente não estava bem.
 Quando lidamos com animais, basicamente lidamos com bebês, você usa inteiramente sua interpretação. O fato deles não falarem, não ajuda muito, pois, algumas atitudes podem ser interpretadas como idiotice ou loucura canina - os famosos "fricotes".
 Para sua dona, ela não estava bem, para alguns membros da família era um fricote.
 A cadela passou certa de trinta minutos girando em círculos, não ouvia sua dona, nem dava atenção para aquele ser plantado na garagem observando o animal esconder-se e debater-se entre os obstáculos.
 Neguinha já não estava mais ali.
 Após algum tempo, ela se encolhe toda com medo de alguma coisa que não se sabe explicar, contrai e cai no chão, um novo ataque acontece.
 Imediatamente seus donos correm para comprar o remédio, às 02:00 horas da manhã e nenhuma farmácia aberta, é uma corrida contra o tempo. Durante esse período, o animal já havia tido mais 3 ataques, os movimentos circulares continuaram, mas agora ela parecia não mais enxergar as coisas a sua volta.
 Ao passo que andava, eles acreditavam que ela morreria. O remédio foi dado, mas ela não mudou sua atitude, a preocupação tomou conta de todos.
 Já são 6:00 da manhã, ela cansou. Seu corpo está mole, ela não consegue se mover - ela está dopada.

 Quinta- feira, 07 de julho.
 - Alô!
 - Oi, aqui é a dona da cachorrinha que teve um ataque, ela agora está só deitada, mas não para de balançar a cabeça. Teve um leve ataque, não come, não faz sua necessidades e parece não entender nada do que falamos.
 - É normal, faça assim: dê um comprimido e um quarto, para que não ocorra outro ataque. Ela não vai precisar urinar nem defecar por enquanto.
 - Ok, farei isto.
 Meio contrariada, ela faz - a cachorra, simplesmente amolece mais ainda.

 Sexta-feira, 08 de julho.
 - Alô!
 - Oi, sou eu de novo. Hoje ela está ainda mais fraca, mas parece já seguir as pessoas com os olhos.
 - Diminua a dosagem, dê um único comprimido. Semana que vem, traga ela para fazer uma consulta.
  Cansados dessa enrolação, eles buscam uma nova opinião para que exames sejam feitos em prol da saúde do animal.
 - Olá, eu tenho uma cachorrinha de 13 anos, que teve 6 convulsões seguidas. Levei em um outro veterinário...
 E assim ela contou toda a história para uma mulher atenciosa, que a ouviu atentamente e chocou-se com o caso.
 Primeiro choque.
 - Ele receitou um Gardenal de 100mgr por dia.
 -Quantos kilos ela pesa?
 - Não sei.
 - Ele pesou sua cachorrinha?
 - Não.
 - O Gardenal, deve ser medicado duas vezes ao dia, nunca uma apenas. Essa dose, está muito alta, por isso, ela está dopada.
Segundo choque.
 - Ele fez os exames de rim, sangue e fígado para analisar se ela estava bem?
 - Não fez nada.
 - Ok, ela precisa de tratamento urgente.
  No mesmo dia seus donos a levaram, e mais um choque aconteceu.
 - Nossa, ela está muito desidratada. Realmente ela está muito ruim, mas vamos fazer todos os exames e tratá-la.
 Quatro horas depois, já hidratada - Neguinha consegue urinar - não como fazia antes, pois, não consegue se manter em pé. 
 Ela vomita duas vezes, mostrando que seu estômago não está nada bem, alguns remédios são receitados e ela volta para casa.
 O soro limpou boa parte de seu organismo, agora ela tenta se manter em pé, ainda que mole ela faz esforços contínuos para se levantar.
 Sábado, 09 de julho.
 Ainda sedada, ela não consegue se levantar, mas já tomou água e todos torcem por ela. A noite realmente foi longa e, ela está agitada.

 Domingo, 10 de julho.
 Neguinha agora está esperta, mas volta a não comer e beber. Urina pela manhã e depois não mais.

 Segunda-feira, 11 de julho.
  A cachorrinha volta a beber água sozinha para a alegria de todos. Come um pedaço de carne e ração.
  Ela parece estar se recuperando, mas continua ainda muito fraca.

 Terça-feira, 12 de julho.
 Hoje é meu aniversário, Neguinha está esperta, ainda na mesma situação, mas logo estará bem. Para aqueles que acreditam que matar é a melhor solução, procurem esse veterinário do Jardim Arpoador ele é especialista.



Para aquelas pessoas que assim como eu acreditam, que devem fazer o bem para o animal como forma de retribuição ao carinho, atenção, brincadeiras e latidos, busquem sempre conhecer o profissional - quando digo "sempre" é sempre mesmo.
 Estou torcendo para que à Neguinha fique bem e, àquele veterinário que nada soube fazer para salvar a vida desse animal, realmente  torço para que seu negócio feche e não haja mais animais sendo tratados como cobaias de laboratório.


Uma informação relevante que gostaria de acrescentar; a Neguinha viverá até os 20 anos.


  Para o alto e além....

Comentários

  1. Opa, Li bem ou ali diz Jd. Arpoador na Zona Oeste? é Onde MORO! Ou melhor, moro na divisa desse Bairro (Moro em um tal de Jd. São Jorge - Onde as pessoas FEIAS fazem jus ao Dragão rsrs)..

    Quer que o negocio dele entre em falencia? simples, me passa o endereço, o resto é comigo mesmo...
    Adoro críticar e divulgar pessoas como esse veterinario. Se quiser, e autorizar, replico sua postagem no lugar co estilo para crítica: adorável Crítica..

    Melhoras a Neguinha!

    ResponderExcluir

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Beijos, Pri Viotto

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