Rabiscos em um caderno velho.

 Uma breve tentativa de tornar minha letra mais legível levou à esse texto, sem muito definição, apenas letras ao acaso.
Rabiscos e traços!
 Quando escrevo rápido tenho o sério problema de comer as letras, com isso surge a necessidade de escrever de forma pausada e regular.
 Minha letra em sua forma crua, é como a escrita de uma criança de 11 anos de idade, mas com um pouco mais de cultura, pois, não utiliza as palavras "mãe" e "bola", em tudo que diz.
 Esse tipo de problema está associado e unificado ao mau do século, chamado computador.
 A grande máquina informatizada e autônoma, destrói e movimenta milhares de vidas todos os dias.
 Qualquer forma de comunicação não digital, é transforma pela grande máquina em um saco de informações inúteis, que em sua maioria sempre acaba na lixeira do windows.
 Escrever  em um caderno é retroceder cerca de 30 anos na evolução da humanidade. É ir contra uma ditadura digital e acreditar que o papel utilizado na produção de um caderno, destruirá uma árvore na Amazônia.
 Está correto pensar assim, mas correto também está, acreditar que famílias estão passando fome por não estarem capacitadas na utilização dessas máquinas, que mesmo com a chamada inclusão digital, um grande número de pessoas ainda sobrevive sendo considerada, apenas à mão de obra especializada - o famoso trabalho braçal.

 Como um apelo ao retorno de uma era, lá está minha pessoa à escrever. Sentindo o movimento dos dedos e a força da minha mente ao tentar controlar o que nem eu às vezes consigo - os traços.
 Liguei o botão onde estava escrito "Escreva" e só consegui parar quando a folha de papel terminou.
 A todo instante o medo de nada acontecer entre o percurso de escrever e a velocidade da escrita, foram constante, mas uma coisa  ficou clara - as palavras que estavam guiando meu destino, nunca o contrário.

 Escrever em um caderno, despertou uma vontade de fazer mil coisas. Isso acontece quando estou à frente de um computador, mas a sensação foi muito mais agradável e acolhedora.
 Foi naquele momento, que lembrei de cenas de "O sítio do Pica-pau Amarelo", onde Dona Benta e tia Anastácia faziam as mais deliciosas receitas caseiras para os seus queridos netos.
 Imagens de bolos, bolinhos de chuva, pão com manteiga e o cheiro do café despertou dentro de mim à vontade de ser simples.
  E a conclusão de todo esse momento, se resumia a simplicidade e aconchego. Quando estamos a frente do computador é tudo muito prático, com uma tecla é possível se ver livre de erros. Mas, no caderno essa regra é a simplicidade, faça um traço e prossiga. Concordância, tempo e trocas são constantes, seja onde for, muitas vezes nem o corretor ortográfico irá te ajudar.
 Uma coisa é certa - a ideia nunca termina - quando uma palavra diz fim, a outra diz recomece e, no final da história ou existirá um começo, ou apenas linhas escritas sobre algo como esse texto - que não é possível definir.

Comentários

  1. Eu, ilustrador, lendo o post, e percebendo as semelhanças, não pude deixar de relacionar com minha área de atuação. São as mesmas circunstancias, as mesmas facilidades e dificuldades, o mesmo prazer e realização.

    Escrever/Desenhar no papel é como correr descalço na grama. =D

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  2. Interessante como parece que tudo na vida é muito parecido, talvez seja o fato da humanidade ser humana, ou em muitas vezes, desumana.
    Hum...bem interessante isso!

    Obrigada pelo comentário Doug.

    Bjs

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Beijos, Pri Viotto

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